REALIDADE OU PERCEPÇÃO?

 


                                       



A pergunta acima instiga, ao mais atento, a correlação com a fotografia. Nas leituras do livro: A Máquina de Narciso - Muniz Sodré, refletimos sobre aquilo que nos é passado pelas mídias, hoje acrescidas ou mesmo interligadas pela internet e redes sociais, intermodalidade. Lá vemos diversos alertas sobre a forma que nos são passadas as informações. O termo simulacro nos remete a percepção da realidade, ou seja, a realidade em si não existiria, mas aquilo que cada um de nós percebe como real seria única para cada um. Neste contexto a grande mídia e as redes sociais, com seus recortes de realidade, nos passando a impressão de realidade. 

Atento a isso resolvi pensar a questão da Educação no Brasil, mais precisamente em Fortaleza, onde resido, para refletir sobre algo que venho notando ser recorrente nas postagens das redes sociais das empresas de comunicação, o tema: O sumiço de professores, sejam das salas de aula, sejam dos cursos de licenciatura. A pergunta texto retorna: Realidade ou Percepção? Quando notamos algo incisivo tendemos a questionar o motivo e o que percebo é uma desconexão com os diferentes motivos que podem dar aparência de abandono propagado pelos meios de comunicação.

Mesmo com pouca experiência na área deu para perceber a falta de compromisso do poder público com o mínimo necessário para a motivação e bom desempenho do professor em sala de aula, que, por vezes, tem que trazer para a escola itens básicos para desenvolver sua atividade.

No entanto a grande mídia se aproveita desse descaso do poder público com a Educação para lançar suas conclusões onde muitos que fazem parte da realidade escolar básica não são escutados. Pergunta-se e sugestiona-se o que se quer ouvir e transformam numa realidade absoluta e conclusiva.

De 2003 para cá (2024) a sociedade brasileira entrou num espiral de revolta contra a periferia e muito disso devido ao sucesso de determinada produção audiovisual focando nos problemas de criminalidade dando um ar de generalização e de que a solução seria a violência policial. O principal ator não quis fazer uma terceira parte do formato justamente por ter percebido o viés enviesado e a proporção que aquilo tomou. Num país que a época já era violento como o Brasil, vemos que não contribuiu muito aqueles trabalhos. Foi como uma legitimação da violência contra o pobre.

Dez anos depois vieram os protestos de 2013, com um país passando bem por uma crise global, a grande mídia resolveu dar impulso a uma manifestação, que seria dos estudantes, pelo aumento de R$ 0,20 da passagem de ônibus, para outras questões que desaguaram em um golpe contra a democracia. Mais uma vez a Educação sendo usada para interesses que não a incluíam. 

Depois disso foi ladeira abaixo e cortes em tudo. Institutos, Universidades Federais sem qualquer recurso para acompanhar a inflação galopante. Nada foi falado ou responsabilizado a quem se devia. É sabido que nossa imprensa tem graves problemas de reconhecer erros e mesmo que os reconheçam, o estrago, por vezes, já foi feito definitivamente, em reputações e contra instituições. É básico para quem tem formação jornalística saber que uma notícia lançada, sem a devida responsabilidade, o público que a ouviu não necessariamente será o da retratação e nem sempre vai ser entendido como erro, mas algum tipo de influência política ou econômica que levou a empresa a desmentir o fato. 

Por coincidência ou não, com o advento de um governo mais a esquerda, começam a circular aspectos da Educação que nunca foram levados a sério e o que se vê são declarações estapafúrdias de gente que parece viver em uma realidade paralela. Chegaram a acusar os professores de privilegiados.

Jogar os alunos e pais contra os professores é uma tática antiga dos viciados no poder, alguns nunca passaram nem no portão de uma escola pública para ver a realidade de suas gestões no setor. A questão salarial dos docentes acaba sendo tema transversal, pois são tão precárias as condições de trabalho que nos resta lutar por equilibrar o poder de compra e não por reajustes salariais.

A grande mídia sempre esteve ao lado dos poderosos, assim a protege de problemas de concessão, como acesso a boas publicidades, o que gera um ciclo vicioso difícil de mudar.
O simulacro começa aí, quando a grande mídia não consegue viver sem os recursos públicos a deixando presa numa pseudo-realidade, cortes dela, que atendem aos interesses de governantes no cala-te boca sobre os problemas estruturais básicos da Educação, mas que na propaganda são escolas de primeiro mundo.

Bom será o dia que a população perceber que nem tudo que assiste na TV e internet é real, nada como conferir com alguém que reside ou trabalha no local, visitar a cidades, escolas, empresas que passam por algumas divulgações e até difamações, e perceber que aquilo que assistiu ou viu foi um Simulacro.


Carlos Gleidson

13/07/2024
18:34H
CAUCAIA/CE


 

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