SINALIZAÇÃO NAS BIBLIOTECAS

 

Foto: https://www.researchgate.net

Nas várias visitas que fiz e faço a diversos espaços bibliotecários, tanto públicos como privados, percebo com tristeza e preocupação as formas que o acervo é indicado ou sinalizado.

Além do que as normas técnicas e acadêmicas podem sugerir, o que vou explanar aqui são percepções de leigo ou de debutantes que chegam a uma biblioteca num primeiro momento.

Para quem viveu a década de 80, em Fortaleza, lembra da biblioteca do IBEU/CE, que se situava na Rua Assunção, vizinho ao bonito prédio do BNB da praça Murilo Borges. Lá o estudante ou visitante acessava os acervos de modo prático e fácil, pois a disposição dos móveis e da bibliotecária ajudavam.

As indicações não precisavam de tantos códigos, letras e cores, que mais atrapalham do que ajudam, e esse é o ponto da dificuldade para muitos que visitam os referidos espaços. Além do tamanho das letras e numeração fomentando o uso de uma lupa, em muitos casos.

A pretexto da diversidade, a poluição visual, em alguns casos até de mau gosto, de cores, torna ainda mais desagradável o momento, como se as cores por si fossem tornar o ambiente mais inclusivo, fazendo a experiência, que deveria transmitir serenidade e silêncio, gritar, sim, pois para quem não estudou a história da arte, deve saber que as cores gritam.

As cores básicas, numerações e letras compatíveis com o tamanho das estantes eram comuns e facilitadores na biblioteca do IBEU e demais. A localização da bibliotecária, no canto em que se assentava, a possibilitava ter uma visão ampla de tudo e todos, situada na perpendicular, também ajudava a manter o silêncio e visualização de alguma necessidade do usuário.

Hoje vemos: Excesso de estantes, acervos empoeirados, livros com edições muito antigas, funcionários mal posicionados e, em alguns casos, nem climatização existe, outros, quando tem, é só pra constar e numa cidade como Fortaleza, calor extremo, fica inviável passar muito tempo.

A percepção é de que os espaços, hoje, ou são organizados por pessoas sem formação em biblioteconomia ou que, se são, querem inventar demais. Como já foi dito, cores básicas em contraste e uma numeração visível já bastariam e facilitaria para quem cataloga, para os visitantes e para o bibliotecário ou funcionário que está na sala.

A biblioteca do IBEU era aberta ao público e utilizava um formato semelhante à foto abaixo:


ibeuce.com.br/biblioteca.html


As mesas de leitura e estudos ficavam ao centro e caso você tivesse alguma dificuldade o acesso à bibliotecária era rápido. 

Infelizmente esses profissionais veem sendo, cada vez mais, desvalorizados e raramente contratados. Alguns concursos ainda surgem, mas raros e com poucas vagas.

Assim como em outras profissões, a colocação de pessoas de outras áreas para exercerem função que não conhecem torna o ambiente profissional como fosse o quarto particular da casa da pessoa que trabalha ali ou a estante de bonecas dela, um amontoado de livros dispostos de forma confusa, de qualquer jeito.

É mais um ambiente que as pessoas pensam que a informática resolverá tudo, que catalogar não precisa da ação e preparo humano. Infelizmente essa mentalidade prejudica muitos setores e continuará, pois vejo muita gente, sem filtro, defendendo a substituição de profissionais preparados da área com a desculpa de atualização e modernidade, invés de ver a tecnologia como parceira do profissional, não concorrente.

A mentalidade que algumas profissões, no senso comum, qualquer um faz ou basta ter um computador que vai indicar onde o livro estar, por exemplo, torna os ambientes disfuncionais, desagradáveis e desconfortáveis, pois ler um livro não é só lê-lo, é viver uma experiência num ambiente diferente do seu cotidiano, estimulando a imaginação, criatividade e criticidade. Quem viu a Livraria Cultura de Fortaleza/CE sabe do que estou falando, era uma experiência cultural, não apenas livraria.


CARLOS GLEIDSON

20/09/2024 11:08H

CAUCAIA/CE 


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