Escolas de Fortaleza (memória)
Acho que tenho um viés de historiador por gostar de remexer memórias, principalmente agradáveis. Vira e mexe me vejo lembrando de alguns ensinamentos dos meus professores de Colégio Rui Barbosa em seus conteúdos e para a vida. Em um desses dias, lembrei de como a Avenida Imperador, em Fortaleza/CE, era movimentada de alunos em toda sua extensão. Tínhamos: Colégio São José, Colégio Jota Oliveira (Ambos mais próximos da Pça da Estação), Colégio Rui Barbosa, Colégio Sistema, Colégio Fênix Caixeiral, Colégio Anglo, Colégio 7 de setembro, Colégio São Rafael.
Além desses, no entorno existiam: Colégio Oliveira Paiva, Colégio Rosa Gattorno, Colégio Rio Branco.
Enfim... era uma infinidade de opções. Hoje, na mesma avenida, só existem o Colégio 7 de setembro e não sei se o Colégio São Rafael permanece. Por vezes me pergunto: Qual o motivo de tamanho colapso?!
Algumas respostas dadas por minha esposa podem ter alguma razão de ser como: "As escolas públicas estaduais devem ter melhorado ou o incentivo federal para os institutos". No entanto a derrocada não aconteceu no século XXI.. já vinha sendo percebida e algumas desaparecendo ainda do meio para o final do século XX.
Vejo como algo mais grave, o desencanto da sociedade com a Educação. Lecionando vi alguns alunos muito jovens já desiludidos e sem interesse de aprender determinados conhecimentos basilares para sua vida como cidadão achando que não lhes serviriam para nada. Isso em meu tempo de secundarista já era dito por alguns colegas de sala, mas eu entendia que só não tinha maturidade para entender quando precisaria, e precisei muito depois e me servem até hoje.
Numa sociedade do resultado materialista a Educação foi abandonada, primeiro, pela sociedade, pelas famílias, principalmente as pobres, por não verem o retorno do que era sempre dito: "Estude para a vida melhorar" "Estude para ser alguém na vida" e com o tempo viam e eram questionados pelos filhos o motivo de alguns estudarem tanto e nada conquistarem ou tinham vida difícil, enquanto outros sem estudo ou que tinham abandonado a Escola estavam prosperando.
Sem respostas, os pais e responsáveis compraram a ideia de que, realmente, o negócio seria trabalhar logo, a partir dos 15, com apoio e fomento do Estado, inclusive. Não que não seja importante um programa para os estudantes conhecerem o mundo do trabalho, mas isso não deve ser motivo para aos 18 incentivar o(a) filho(a) a deixar de estudar.
Com isso, retomando a falência das Escolas, deu para entender um pouco o fechamento de muitas Escolas, algumas como o Colégio Rui Barbosa, com mais de meio século. Foi sendo liberado, também, cursos supletivos, em que o estudante faz o fundamental e médio em dois anos ou três, o médio em seis meses. Tudo isso com a justificativa que o mundo e as pessoas tinham pressa para vencer.
Pensando sobre pressa e qualidade, será que combinam? Da minha 5ª série ao 3º ano do segundo grau foram 7 anos, quase uma década, de muita convivência, aprofundamento de conhecimentos, valores, princípios e maturação. Será que isso é conquistado juntamente com o certificado do supletivo?
O capital tende a deformar tudo aquilo que é processual, construído e sofrido por gerações e gerações, na sua lógica coisificante e descartável, trata as pessoas como coisas e peças de reposição, sem dó nem piedade, não há sentimento humano algum.
Hoje entendo porque Fortaleza ficou tão violenta, desumana, mal educada e com conflito de gerações, pois não há como se trabalhar o cidadão, em todas as suas potencialidades, em 6 meses. Daí o indivíduo vai para o mercado despreparado, ganha dinheiro, mas não sabe administrá-lo, tira a carteira de motorista ou motociclista, e sai no trânsito fazendo presepadas, os que conseguem, pois alguns repetem muitas vezes, por não passarem nas provas interpretativas teóricas da legislação do trânsito, quando não usam de algum meio obscuro para conseguir, pois não foi treinado para a paciência, a perseverança e ter o sabor da conquista, tudo em nome da pressa, da impertinência.
Não é à toa que a maioria dos acidentes de trânsito é devido a esses dois fatores, que quando se juntam a imprudência acabam por prejudicar muitos.
A escolha de uma sociedade sobre o que tem valor ou não tem muita influência nas políticas de Estado e essas políticas podem transformar para melhor ou pior uma cidade.
CARLOS GLEIDSON
13/08/2024
11:07H
CAUCAIA/CE

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